O caldo da regressão: livro discute ditadura e resistência na Vila Buarque

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Os movimentos de cultura e resistência contra a ditadura no período de 1964 a 1968 são o enfoque do novo livro de Marcos Gama, jornalista e delegado aposentado. Vila Buarque - O caldo da regressão (Alameda Editorial) reflete sobre a efervescência política, artística e cultural a partir da experiência do bairro que dá nome ao livro - e que abriga a sede do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé desde 2012.

O lançamento do livro acontece no dia 28 de novembro, a partir das 19h, no Tapera Taperá, situado na Galeria Metrópole (Avenida São Luiz, 187). A obra, que estará à venda na ocasião, tem prefácio de José Dirceu e capa pelo jornalista e cartunista Gilberto Maringoni.

Marcos Gama esteve no Barão de Itararé na terça-feira (14) e falou sobre a publicação. Assista:

Saiba mais sobre o livro:

"O Brasil, desde os anos 50, vinha num razoável crescimento cultural e político. O golpe de 64, com toda a perseguição doentia ao pensamento livre, e violência física aos opositores, não conseguiu estancar de imediato estes avanços. O homem com sabedoria, acuado, cresce na sua produção, e até 68, esta criatividade incomodou os militares no poder.

Subservientes a inteligência norte-americana, os golpistas recusaram as energias positivas que elevavam o debate do país. Optaram servir aos donos de velhos e desonestos privilégios, e exercer um poder macabro, que só fomentou a violência. Criaram cartilhas e mecanismos repressivos a tudo que não servisse a essas perversas e carcomidas elites nacionais. Conivente, uma imprensa escrita, censurada, estranhamente demorou a acordar. Diferente da oligarca televisão, que se auto-censurava. Assim, gestaram o AI-5 e o decreto-lei 477, guilhotinas em cabeças essenciais a formação honesta da nação. Um estancamento histórico que só alimentou a bolha da safadeza e do cinismo nacional.

E quando a Casa Grande divisou que a bolha ia explodir, rolou-a para a senzala, aproveitando que ela se articulava pela primeira vez no poder. Assim, os pecadilhos dos desafortunados foram baralhados aos dos grandes arquitetos do nosso universo aristocrático, de ruralistas a banqueiros. As “ações” entre irmãos cresceram no combate a perigosa inclusão social, e os novos bispos-magnatas, para “salvar” os incautos, e aumentar o livre trânsito em favelas e cadeias, vão ignorando os fornecedores de drogas às carcomidas elites. Perversidades e contra-sensos desprezados nesse espetáculo hipócrita das delações seletivas, e na massacrante manipulação midiática.

Sobreviventes dessa repressão, velhos amigos, fortuita e inusitadamente se encontram no centro de São Paulo e resolvem voltar a Vila Buarque, região marcante entre 64/68. Sentem a decadência dolosa da cidade, e provam o que foi o caldo da regressão"

Premiada, reportagem de Claudia Rocha levanta discussão sobre mídia e direitos humanos

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Por Felipe Bianchi

Vencedora da 39ª edição do Prêmio Vladimir Herzog na categoria produção em áudio, a reportagem “Moradores do Moinho falam em rotina de repressão da PM, um mês após morte de jovem”, de Claudia Rocha, revela questões importantes sobre a discussão em torno do papel da imprensa tradicional e o das mídias alternativas.

Cláudia Rocha e Emerson Ramos durante a cerimônia de premiação, no dia 31/10. Foto: Alice VergueiroCláudia Rocha e Emerson Ramos durante a cerimônia de premiação, no dia 31/10. Foto: Alice Vergueiro

Com novo formato, VII Fórum da Internet no Brasil ocorre entre 14 e 17/11

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O Fórum da Internet no Brasil, evento promovido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) desde 2011, apresenta este ano uma programação construída de forma colaborativa. Workshops propostos pela comunidade brasileira sobre inclusão digital, criptografia, privacidade e proteção de dados pessoais, direito ao esquecimento, blockchain, entre outros tópicos, integram a programação do evento, que será realizado entre os dias 14 e 17 de novembro na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Os interessados em participar já podem inscrever-se gratuitamente em http://forumdainternet.cgi.br/.

Com apoio da mídia rentista, governo mira fogo na Caixa

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Foto: Paulo Pinto/AgPTFoto: Paulo Pinto/AgPT

Por Felipe Bianchi

O principal banco público do Brasil e o maior da América Latina está sob ataque. O alerta foi feito por Jair Pedro Ferreira, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), durante entrevista coletiva a meios alternativos, nesta terça-feira (7).  O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé sediou e transmitiu a coletiva em tempo real.

Representando 27 associações e cerca de 53 mil associados, Ferreira destacou a importância da Caixa para o povo brasileiro: os bancos públicos cumprem o papel de atender às massivas parcelas da população que não contemplam o interesse do poder econômico e dos bancos privados.

A mobilização em defesa do caráter público da Caixa não é por acaso: o Ministério da Fazenda do governo ilegítimo de Michel Temer está determinado a transformar o centenário banco popular em uma Sociedade Anônima. Dessa forma, a Caixa teria seu capital aberto ao mercado financeiro.

“Ao vendê-la, quem perde é a sociedade”, argumenta Ferreira. “Se o banco é pautado pela rentabilidade, ele tem que prestar contas aos acionistas, não à população”. A desigualdade, na avaliação do presidente da Fenae, é uma das principais mazelas do país e combatê-la fica mais difícil sem instrumentos como a Caixa 100% pública. “Olhar para investimentos visando apenas o retorno é sacrificar pessoas”.

Há regiões do país em que simplesmente não existe financiamento privado para famílias de baixa renda. “Só empresas com esse papel na sociedade brasileira podem atender essa parte da população. Claro que existem dificuldades a serem enfrentadas em seu funcionamento, mas a sociedade não pode prescindir e abrir mão de uma empresa que cumpre tal papel. Quem vai atender os programas sociais como Bolsa Família, Fies [Fundo de Investimento Estudantil], Minha Casa Minha Vida, o direito à moradia nos lugares mais remotos do país? É a Caixa. São as empresas públicas”.

Foto: Paulo Pinto/AgPTFoto: Paulo Pinto/AgPTSegundo Ferreira, a mídia monopolista desinforma a sociedade e presta grande serviço ao rentismo. “A narrativa da mídia é de quem tem o capital na mão. Eles atacam os inimigos. É uma campanha permanente de ataque aos programas sociais acompanhado de uma narrativa para convencer os próprios beneficiários dos programas de que destruí-los é necessário”, opina. “O beneficiário de programas sociais consome grande mídia de manhã, à tarde e à noite e escuta que empresa pública só tem ladrão, que tudo é sujo, que quem entra lá só rouba… é parte da servidão dos grandes meios de comunicação ao deus-mercado”.

Com a presença de veículos como Conversa Afiada, Rede Brasil Atual, Portal Vermelho, Brasil de Fato, Revista Fórum, TVT e DCM (Diário do Centro do Mundo), além do próprio Barão de Itararé, o presidente da Fenae ressaltou a importância dos blogueiros e das mídias alternativas para construir um contraponto à imprensa rentista. “Nossa pauta não é a pauta dos grandes meios. É o contrário. Nosso desafio é fortalecer esse campo das mídias alternativos. Esse é o nosso meio”.

Como forma de combater o intento do governo golpista, a Fenae lançou a campanha Defenda a Caixa Você Também. A ideia da Fenae é construir um canal para alimentar blogueiros, ativistas digitais e meios alternativos com informações, notícias e conteúdos em defesa da Caixa.