Wanderley Guilherme dos Santos: O futuro da democracia

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Para onde vai a democracia no Brasil, em um cenário de retrocesso e perdas de direitos sociais garantidos na Constituição de 1988? Em novo evento da série Futuros do Brasil, o Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz) convidou para analisar a atual conjuntura do país o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos. Professor aposentado de Teoria Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador titular do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp/Uerj), Wanderley Guilherme fará a conferência Democracia: qual futuro?, dia 7 de dezembro de 2016, às 13h30, no auditório térreo da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). O evento será também transmitido via internet, com participação do público que poderá enviar perguntas online ao conferencista.

“A conferência tratará da sincronização entre a ruptura conservadora no Brasil, em 2016, e as sucessivas transformações nas democracias europeias, incluindo as nórdicas, agora chegando às Américas”, adianta o professor. “Não obstante as peculiaridades nacionais, o que vem ocorrendo em todos os países é a exclusão das representações populares fora do circuito de poder e gradativa criminalização das manifestações de participação fora dos canais de representação legislativa”, analisa. Para Wanderley Guilherme, o futuro da democracia redistributiva, “ao qual se acrescentam os temperos nacionais”, como observa, “é sombrio”, em qualquer lugar do mundo. “A não ser por revoluções políticas e institucionais profundas, cuja viabilidade, no momento, é zero”, ressalva.

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Sobre o conferencista
Wanderley Guilherme dos Santos é cientista político, autor de livros e artigos na área de Ciências Sociais. É doutor em Ciência Política pela Stanford University (1979), com a tese Impass and crisis in Brazilian politics, e fez o pós-doutorado em Teoria Antropológica na UFRJ, em 1986. É professor aposentado de Teoria Política da UFRJ e pesquisador sênior do Instituto de Estudos Sociais e Políticos, (Iesp-Uerj). Recebeu da Associação Brasileira de Ciência Política o Prêmio Victor Nunes Leal, pelo livro Horizonte do desejo – Instabilidade, fracasso coletivo e inércia social (Editora FGV, 2006)e, da Academia Brasileira de Letras, o prêmio na categoria Ensaio, pelo livro O cálculo do conflito: estabilidade e crise na política brasileira, publicado pela UFMG (2004), entre outras premiações

Visão única da mídia e agenda regressiva implodem economia

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Por Felipe Bianchi

Referências no contraponto ao discurso monolítico dos grandes meio de comunicação quando o assunto é economia, Luiz Gonzaga Belluzzo, Eduardo Fagnani e Laura Carvalho discutiram, nesta terça-feira (29), em São Paulo, os impactos do golpe no setor, parte do Ciclo de Debates A Imprensa e o Golpe. Segundo eles, o governo Temer opta por um ajuste que subtrai direitos, preserva privilégios e ganha o endosso de quase a totalidade dos analistas da imprensa hegemônica.

Foto: Raphael CoracciniFoto: Raphael Coraccini

 

Professora do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo e colunista da Folha de S. Paulo, Laura Carvalho aponta que há uma fraude nas promessas econômicas do governo que se instalou após o impeachment de Dilma Rousseff. “Há uma completa falta de perspectiva de saída do fundo do poço. Criou-se o discurso de que os investidores estariam loucos para vir ao Brasil após a queda de Dilma, mas isso não está ocorrendo”, diz.

 

Enquanto a frustração aumenta e chega ao ápice com a aprovação em primeiro turno da PEC 55 na Câmara dos Deputados, Carvalho avalia que a imprensa começa a mudar o tom. “Antes, a PEC era a panaceia para o país. Na redação, brincam que seria o ‘Posto Ipiranga’, que daria todas as respostas para os problemas”, conta. O discurso, segundo ela, foi perdendo força e alguns já admitem que mesmo com o sacrifício dos gastos públicos, a crise persistirá.

 

“O grande problema da PEC é que ela nao distingue o que é direito e o que é privilégio”, critica a economista. Ao passo que congela investimentos em campos como a saúde e a educação, a matéria mantém flexível a margem para aumento de salários da esfera de poder, por exemplo. “Situação é muito dramática pela crise econômica e fiscal, mas o grande problema não foi originado de nenhuma ‘gastança’, como dizem. A solução do problema está longe de ser cortar gastos e investimentos, o que lima qualquer chance de retomar a economia”.

 

Carvalho também acredita que há uma crise de governança, na qual a histeria da população com a corrupção empoderou certos órgãos de controle que não buscam mais a transparência e o combate à corrupção, mas passaram a ditar a política econômica do país. Esse fator trava e bloqueia investimentos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), exemplifica.

 

“Primeiro que o Estado está longe de estar quebrado, mesmo com a dívida pública tendo saído do controle por razões como o desaceleramento da economia. Mas se o Estado for encarado como esse grande monstro que alguns pintam, fazemos coro com esse tipo de histeria, que inviabiliza a retomada”, assinala. “Não há experiências no mundo onde o setor privado retoma a economia em um cenário de recessão como o que aí está. Quem tem de fazer isso é o Estado”.

 

Os mantras da mídia e a ausência de debate

 

Se há um problema na análise econômica feita pela mídia hegemônica é que os conceitos são deformados, afirma Luiz Gonzaga Belluzzo. Para o professor da Unicamp, a discussão limita-se praticamente a repetir mantras. “A palavra austeridade, por exemplo, do jeito que é tratada, parece impossível de se posicionar contra”, argumenta. “Assistir aos comentaristas de economia na TV é um exercício de masoquismo, quase um auto-sacrifício”.

 

Foto: Raphael CoracciniFoto: Raphael CoracciniEle lembra de Yanis Varoufakis, ministro do governo Tsipras na Grécia, em 2015, para ilustrar o que se passa no Brasil. “Quando Varoufakis colocava seus argumentos para a União Europeia, recebia caras de paisagem. É a mesma coisa. As pessoas não conseguem, de jeito nenhum, se livrar de refrões que não significam absolutamente nada”, sublinha.

 

Após a destituição de Dilma, as manchetes de economia da grande mídia passaram a ser no minímo curiosas, na visão do professor. “Uma das comentaristas da Globo News diz que a crise insiste em não ir embora, como se ela fosse um hóspede incômodo!”, ironiza. “O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, chegou a dizer que apesar de os indicadores estarem em queda, a indústria estaria em franca recuperação”. O paradoxo, recorda Belluzzo, não foi contestado por ninguém da imprensa.

 

Para ele, é preciso destrinchar o debate. “As poucas vozes dissonantes nesse meio, como a de Laura Carvalho na Folha de S. Paulo, são constantemente atacadas. A polarização que está ocorrendo leva à incapacidade de entender o argumento do outro”, diz. “A palavra ‘gastar’ virou algo ‘maldito’. Mas o gasto de um é a receita de outro. Se todos cortam o gasto, encolhem”, ilustra.

 

De acordo com o professor, a ausência de pluralidade na mídia brasileira é um fator crucial para a desinformação. “Sem diversidade de opiniões e ideias, onde prevalece um discurso homogêneo, fica fácil uma visão única fazer sentido. As pessoas não entendem, apenas repetem. Não porque não são inteligentes, mas porque a informação que chega a ela tem essa natureza”, diz.

 

Golpe, caminho para um projeto sem votos

 

Professor de Economia da Unicamp, Eduardo Fagnani define o golpe como a radicalização do projeto liberal no Brasil. “É antigo, mas é um projeto que não passa pelo crivo popular. Essa é a consequência do golpe na economia: levar a uma extrema reforma do Estado passando por cima do voto e da democracia”, sentencia.

 

Foto: Raphael CoracciniFoto: Raphael CoracciniO governo Dilma aceitou diagnósticos equivocados sobre a crise econômica e como enfrentá-la, pondera Fagnani. Mas o que ocorre no país após o golpe, segundo ele, é o desmonte completo do Estado social. A obediência ao rentismo, a regressão nos direitos humanos e sociais, a retirada de direitos trabalhistas e a destruição das bases financeiras do Estado descrito na Constituição de 1988 são os ingredientes da receita que vem sendo cozinhada pelo governo ilegítimo, assinala.

 

Há um falso consenso de que o gasto social é o grande vilão da questão fiscal, opina Fagnani. Essa tese, segundo ele, leva a uma revisão da Constituição. “O gasto social cresce junto com a democracia. Tanto a experiência nacional quanto a internacional mostram que o gasto social está longe de ser esse ponto fora da curva”, defende.

 

“Esse conjunto de medidas, em especial a PEC 55, não são peças de um ajuste fiscal, de medidas para a responsabilidade fiscal. Elas significam uma mudança brutal no sistema em que vivemos”, alerta Fagnani. “Assim que as medidas forem aprovadas, o artigo 6º da Constituição e todo o capítulo sobre a ordem social e a garantia de direitos serão transformados em letra morta pela asfixia financeira”.

Barão promove confraternização para encerrar, enfim, 2016

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O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé anuncia a sua tradicional confraternização de fim de ano para recarregar as pilhas e não esmorecer diante do período de retrocessos e ataques à liberdade de expressão inaugurado pelo golpe judicial-midiático-parlamentar. O encontro ocorre no dia 8 de dezembro, a partir das 18h, no Café dos Bancários, situado na Rua São Bento, 413, no centro de São Paulo.

Golpe impõe retrocessos à cultura e reflexão sobre a comunicação

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Texto por Felipe Bianchi

Fotos por Raphael Coraccini

Os impactos causados na sociedade e na cultura por parte do golpe que destituiu Dilma Rousseff e alçou Michel Temer ao poder foram tema de debate nesta quinta-feira (24), em São Paulo. Os artistas Sérgio Mamberti e Tico Santa Cruz, além da jornalista Laura Capriglione, falaram sobre os retrocessos no campo cultural impostos pela agenda regressiva do novo governo, o papel das mídias alternativas e a importância de a esquerda apostar na comunicação.

Temer afunda em contradições, mas golpe avança

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Por Felipe Bianchi

A crise política desatada pelo impeachment de Dilma Rousseff foi tema do Ciclo de Debates A Imprensa e o Golpe, nesta terça-feira (22), em São Paulo. Para os jornalistas Rodrigo Vianna, Maria Inês Nassif e Paulo Moreira Leite, o cenário presente revela não apenas os vícios e a fragilidade do sistema político brasileiro, mas também expõe o conluio histórico entre partidos da elite, Judiciário e oligopólio midiático.