Repúdio contra o tribunal midiático
publicado em 1 de novembro de 2011 às 17:04 na Direito à comunicação, Notícias
Durante o 1º Encontro Mundial de Blogueiros, que aconteceu entre os dias 27 e 29 de outubro, em Foz do Iguaçu, foi apresentada uma moção de repúdio contra o “tribunal midiático”. O documento, proposto pelo Barão de Itararé, foi idealizado após o episódio em que a revista Veja publicou matéria com acusações ao então ministro dos Esportes, Orlando Silva (PCdoB), sem que o denunciante (dono de uma extensa ficha na Justiça) apresentasse provas. A forte pressão política exercida pela grande imprensa culminou na demissão de Orlando Silva.
Leia abaixo a moção de repúdio ao tribunal midiático e, para assinar o documento, envie um e-mail para contato@baraodeitarare.org.br. Ao fim da página, a moção de apoio à campanha Cumpra-se, também elaborada durante o Encontro Mundial de Blogueiros e que exige cumprimento integral da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos em casos da Guerrilha do Araguaia.
Moção de Repúdio contra o tribunal midiático
Nas últimas semanas, a mídia hegemônica mostrou mais uma vez suas garras. De forma inescrupulosa, se aproveitou de denúncias vazias para governar o país no grito.
Inconformados com o fato de terem perdido nas urnas a eleição presidencial, tentam impor uma agenda negativa para a nova presidente, tendo como foco a desmoralização dos quadros políticos que ocupam seu primeiro escalão. Com muito orgulho, os barões da mídia se vangloriam de ter derrubado o 6º ministro de estado em 10 meses de governo.
O alvo da vez foi o ex-ministro do Esporte Orlando Silva. Baseados em afirmações feitas por um homem com extensa ficha corrida na justiça, acionado por ter desviado milhões dos cofres públicos e que não apresentou nenhuma prova contra o ex-ministro, a mídia criou um tribunal de exceção para julgar e condenar publicamente Orlando Silva. Num primeiro momento, a presidente Dilma Rousseff resistiu à investida da mídia, mas não suportou a pressão e cedeu à chantagem midiática.
Ao se curvar, mais uma vez, aos interesses dos grandes conglomerados de comunicação e se pautar pela efemeridade das pesquisas de opinião, a presidente Dilma cria um perigoso precedente para a democracia brasileira e uma arapuca para o seu governo.
No primeiro caso, porque qualquer pessoa pública passa a ter o ônus da prova de sua inocência, violando um princípio Constitucional, e pode ser fuzilada no paredão da sanha reacionária. No segundo, porque a mídia e a elite conservadora que ela representa se sentem fortes para continuar a investida contra o seu governo. Já há, inclusive, os que apontam os próximos alvos. Engana-se a presidente se ela acredita que adotando uma postura subserviente à mídia ela estará fora do alcance dos seus fuzis.
Nessa guerra midiática, a estratégia da mídia e das elites é desmoralizar os partidos que compõe a base do governo e seu primeiro escalão com o objetivo de enfraquecer a presidente, que pode ser o próximo alvo.
Este episódio só fortalece a necessidade de o Brasil discutir urgentemente um marco regulatório para as comunicações. A mídia ataca os que defendem a regulação porque tem o monopólio da capacidade de gerar escândalos – mesmo que a partir de fatos que não os justifiquem – ou de abafá-los, quando lhes interessa. O país não pode mais ser refém das vontades políticas das poucas famílias que controlam 80% do conteúdo dos meios de comunicação. Só por meio da regulação é possível garantir a liberdade de expressão para todos, ampliar o pluralismo e a diversidade da comunicação brasileira.
Assinam esta moção:
Altamiro Borges – Centro de Estudos Barão de Itararé
Daniel Dantas – Rio Grande do Norte
Emanoel Souza – Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados da Bahia e Sergipe.
Esmael Morais – Blog do Esmael
Kleiton Silva – Blog dos Metalúrgicos de Camaçari
Geison Gomes – BlogProg SP
João Brant – Intervozes
João Carlos Passari – Blog João da Caixa
Julieta Palmeira – Associação de Novas Mídias da Bahia
Leandro Fortes – Carta Capital, Brasília Eu Vi
Luana Bonone – Centro de Estudos Barão de Itararé
Paulo Salvador
Renata Mielli – Centro de Estudos Barão de Itararé
Renato Rovai – Altercom
Reiko Nomura – Fundação Perseu Abramo
Rita Casaro – Centro de Estudos Barão de Itararé , Ciranda Internacional de Comunicação Compartilhada
Rosane Bertoti – Secretária de Comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Sérgio Bertoni
Thiago Moro
Tiago Soares
Vandré Fernandes – Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
Moção de Apoio à Campanha Cumpra-se
Moção de apoio à campanha Cumpra-se, que se constitui num esforço cidadão de indivíduos, coletivos, entidades e movimentos sociais, para que a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos seja cumprida integralmente, visando a afirmação dos Direitos Humanos no Brasil e o respeito à jurisprudência e à jurisdição internacional da CIDH expressa em nossas constituições.
A sentença proferida no caso Gomes Lund e outros (Guerrilha do Araguaia) exige investigação dos perpetradores de tortura, homicídios, desaparecimentos forçados, identificação e entrega dos restos mortais. Cumpra-se já. WWW.cumpra-se.org.br


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