Pesquisa mostra os números abusivos da publicidade infantil


publicado em 16 de março de 2012 às 16:49 na Notícias

O Projeto Criança e Consumo, levado a cabo pelo Instituto Alana, divulgou pesquisa analisando o volume de publicidade infantil nos períodos que antecedem o Dia das Crianças e o Natal. A relevância da investigação consiste no fato de a publicidade se aproveitar da ingenuidade da criança para estimular o consumismo. Segundo o Projeto Criança e Consumo, a publicidade infantil é considerada abusiva por parte do Código de Defesa do Consumidor e, portanto, é ilegal.

A investigação monitorou 15 canais (tanto da TV aberta quanto por assinatura), durante 15 dias, 15 horas por dia. Os resultados são alarmantes: no curto período observado, o total de publicidades analisadas foi de 81 mil, sendo 37,3% referentes a brinquedos; 5,6% a entretenimento e 5,5 à lojas de departamento.

Nas duas semanas antecedentes ao Natal, a Rede Globo foi a emissora que mais veiculou propagandas direcionadas às crianças, enquanto por parte dos canais infantis, o Cartoon Network teve a maior marca. O destaque fica para o Rá Tim Bum que, assim como em 2011, não veiculou publicidade infantil no período. Já nos 15 dias anteriores ao Dia das Crianças, o SBT liderou o ranking dos canais abertos, enquanto o Cartoon Netwok, novamente, encabeçou a lista dos canais infantis.

O estudo também elegeu a marca vencedora do “Prêmio Empresa Manipuladora”. A Hasbro, que fabrica brinquedos como Transformers 3, My Little Pony, Baby Alive, Nerf e UNO Monster High, ficou com o caneco: foram 6.560 anúncios em apenas 15, dias. Ou seja, 14,3% do total de propagandas veiculadas. Já o Prêmio Manipuladora do Dia das Crianças 2011 ficou com a Mattel, que veiculou 8.900 anúncios. No natal, a empresa reduziu o numero para 3.730.

Confira abaixo os números da pesquisa:

Europa e a publicidade infantil

O Projeto Criança e Consumo também destacou, em seu portal, o avanço da Europa na questão: como resultado de audiências públicas realizadas em 2011 em Bruxelas, na Bélgica, o Comitê Econômico e Social Europeu (CESE) – órgão consultivo da União Européia – está elaborando um parecer favorável à proibição da publicidade dirigida a crianças. O parecer deve ser finalizado até junho, quando será apresentado a UE. A proposta é que o documento seja transformado em leis nos diferentes países membros.

Para os especialistas do CESE, a proposta visa  impedir que as crianças sejam expostas a anúncios de produtos que promovam valores distorcidos ou que façam mal à saúde, como é o caso de propagandas de alimentos não saudáveis. Segundo Paulo Morais, perito do CESE, o volume do bombardeio publicitário é preocupante, já que as crianças europeias entre dois e cinco anos ficam cerca de 27,5 horas por semana em frente à TV, expostas a 26 mil anúncios publicitários por ano.

Fonte: Projeto Criança e Consumo

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Publicidade infantil invade TV, mostra pesquisa


publicado em 12 de dezembro de 2011 às 15:07 na Notícias, TV

Sem leis que regulamentem exclusivamente a publicidade infantil, anúncios para crianças pipocam na programação nas tevês brasileiras. Uma pesquisa recente do Instituto Alana, que monitorou 15 canais pouco antes do Dia das Crianças, constatou que 64% das propagandas são direcionadas para este público. O estudo focou em canais da TV aberta, como Globo, SBT, Bandeirantes e Record, e em canais da tevê fechada exclusivos para o público infantil, como Cartoon Network, Discovery Kids e Disney XD.

A empresa de brinquedos Mattel foi o destaque da pesquisa como a que mais anuncia para crianças. Em segundo lugar, a também multinacional Hasbro. A falta de legislação sobre o assunto permite que a publicidade infantil transcorra livremente. Mas, segundo o Instituto Alana, reclamações de pais são bastante comuns. O Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária (CONAR) é financiado pelas próprias empresas e não tem caráter governamental.

“As empresas sabem que as crianças influenciam a compra”, afirma Gabriela Vuolo, do Instituto Alana. A lei Nº5921 de 2001, que tramita há dez anos sem aprovação, proíbe a publicidade e “comunicação mercadológica” dirigida ao público infantil. Dentre os argumentos contra a propaganda, está a falta de discernimento das crianças como espectadoras. Segundo Vuolo, até os 12 anos a pessoa ainda não entende qual é a intenção da publicidade. Até os oito, nem mesmo percebe o que faz parte da programação normal do canal.

A publicidade infantil, explica Vuolo, é interessante para as empresas porque fidelizam desde cedo as crianças aos seus produtos. “Ao mesmo tempo, a publicidade passa valores distorcidos, estimulando o consumismo e a ideia de que é necessário ter para ser alguém”, acrescenta.

Vencedora do prêmio-protesto “Empresa mais Manipuladora” do Alana, a Mattel manifestou que é uma companhia comprometida com o desenvolvimento infantil e acredita nos “benefícios do brincar”. Além disso, afirma que respeita a legislação brasileira e analisa as recomendações feitas pelo Conar. Para o Instituto Alana esse é justamente o problema.

Para as empresas, não há necessidade de infringir as leis, pois elas são suficientemente permissivas. O Conar, por sua vez, não mantém boas relações com o Instituto. No início do ano, o Alana enviou uma “denúncia” ao órgão contra uma campanha do McLanche Feliz veiculada durante o trailer de animação infantil “Rio”. A negativa do Conar veio acompanhada do veto do relator do processo com a seguinte frase: “Vale a fantasia de trocarmos o nome Instituto por outro mais característico – a bruxa Alana, que odeia criancinhas”. Desde então, o Alana deixou de enviar pedidos ao órgão de autoregulamentação.

O Alana questiona a validade do Conselho, com financiamento e participação de anunciantes, agências de publicidade e veículos de comunicação. O Conar, por sua vez, afirma que o Alana é uma entidade “que tem como grande objetivo na vida proibir publicidade para crianças e adolescentes, mas desconsidera a opinião dos pais e a educação familiar”, segundo a assessoria de imprensa.

Vuolo alerta para alguns perigos principais da publicidade. Uma questão ética permeia o debate, já que os anúncios estimulam o consumo inconsciente para um público que não tem a capacidade de fazer essa reflexão, contrariando o discurso em voga da sustentabilidade. Há também o estresse dos pais causado pelo “fator amolação”, quando as crianças infernizam os pais até que seus desejos sejam acatados. Os pais muitas vezes cedem, mesmo que isso signifique endividar-se depois.

“O pai fica numa situação de ‘Davi contra Golias’: a indústria diz que tem que comprar e joga para o pai a tarefa de dizer não”, explica ela. Há outros riscos como o estímulo à obesidade infantil. A maior parte das propagandas diz respeito a produtos com baixos valores nutricionais, com grandes quantidades de açúcar, sódio ou refrigerantes.

Além disso, a publicidade pode incentivar a erotização precoce, como em um caso recente de uma marca de sutiãs que vendia peças com enchimento para meninas de 6 anos – com ilustrações do personagem “Sininho”, do filme “Peter Pan”. “A situação para as empresas é muito confortável. Mas as crianças acabam prejudicadas”, afirma Vuolo.

Fonte: Clara Roman – CartaCapital

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