Eventos do Barão

Julho 2021
S D
1 2 3 4
5 6 7 8 9 10 11
12 13 14 15 16 17 18
19 20 21 22 23 24 25
26 27 28 29 30 31

+

Para início de conversa, não há dúvida de que a ocorrência de protestos em Havana é um fato relevante e de inegável interesse jornalístico, afinal é a primeira vez que a revolução cubana convive com mobilizações oposicionistas em 60 anos. No jargão jornalístico, trata-se de um autêntico caso de “pessoa mordendo o cachorro.”

Por Bepe Damasco

O problema é quando o noticiário descamba para a manipulação descarada, a sonegação de informações  importantes e a falta da contextualização mais primária. No final da noite desta sexta-feira (16) assisti a uma longa reportagem em um telejornal da GloboNews sobre a crise cubana.

O fio condutor da matéria era um cantor e compositor cubano exilado nos EUA, e que deixou a ilha há muitos anos, autor de uma canção contrarrevolucionária que vem embalando os protestos, segundo a reportagem.  

Contudo, essa abordagem pretensamente lúdica foi só cortina de fumaça para descer a lenha em Cuba, mostrada como se fosse uma ditadurazinha qualquer do Caribe e seu líder histórico Fidel Castro um tirano de arrabalde.

Por razões de natureza ideológica, afinidades econômicas e políticas com o império estadunidense ou por só conceber democracia a partir do ideário liberal, a Globo tem o direito de ver Cuba como uma ditadura. Entretanto, na condição de concessão pública, até que ponto vai sua prerrogativa de esconder fatos públicos e notórios?

E discutir Cuba deixando de lado o bloqueio econômico não tem outra definição: é desonestidade.

Será que o telespectador global não deve saber do efeito devastador sobre a economia cubana do criminoso bloqueio norte-americano, agravado de forma dramática durante a pandemia, pois o país teve uma queda vertiginosa do turismo e da exportação de serviços médicos, suas principais fontes de divisas?

Por que diabos o consumidor de notícias dos veículos da família Marinho não pode ser informado, nem que seja de passagem, de que não há fome na Ilha, que Cuba superou o analfabetismo e oferece educação e saúde de qualidade para toda sua população, tudo inteiramente por conta do Estado? Não por acaso, os feitos da medicina de Cuba e o alto nível educacional de sua gente são reconhecidos pelas comunidades acadêmicas e científicas do mundo inteiro.

Em Cuba não há criança abandonada nas ruas, tampouco mendigos ou cracolândias. Mas a Globo não se cansa de criticar a pobreza existente na Ilha, como se miseráveis, famintos, viciados, doentes e desalentados não fizessem parte das paisagens das cidades do Brasil. Bem diferente da pobreza com dignidade e sem miséria verificada em Cuba.

Pobreza, aliás, que tem tudo para ser superada, assim que Cuba puder se desenvolver em paz, livre do garrote à margem das leis internacionais que é o bloqueio. A ONU inclusive, respaldada pela votação da maioria esmagadora de seus países membros, condena o bloqueio. Mas, na base do banditismo explícito, os EUA o mantém.

Voltando às manifestações e à cobertura global, as imagens revelam que vem sendo respeitado pelo governo o direito de as pessoas se expressarem livremente nas ruas.

No entanto, o cartel da mídia brasileira, liderado pela Globo, insiste em bater na tecla da existência de repressão ao movimento. Mas como, quando, onde? Cadê as imagens? Também exala um forte cheiro de empulhação a história dando conta de que mais de 400 pessoas teriam sido presas ou estão desaparecidas.

As evidências de que a cobertura jornalística prima pela desonestidade não param por aí. Onde estão as imagens das manifestações de apoio à revolução, que em muito suplantaram em tamanho os protestos oposicionistas?

Toda solidariedade à revolução cubana!

“Neste exato momento, em Cuba, há uma situação de calma e tranquilidade. O último dia no qual vimos manifestações foi segunda-feira (12). Já é sexta-feira, quase sábado, e ainda que haja alguma tensão, as manifestações desapareceram”, relata Iroel Sánchez.

Desde Cuba, o jornalista e editor do La Pupila Insomne contou ao Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé algumas das impressões sobre o episódio. Os motivos das manifestações, avalia, são resultado de uma conjunção de fatores: “Há, sim, um deterioramento objetivo da situação econômica, especialmente ligado à escassez e desabastecimento de mantimentos, além de ‘apagões’ causados por cortes na energia elétrica”, conta.

Por Altamiro Borges e Felipe Bianchi

“Portanto, é sim um problema real. Porém, é um problema obviamente ligado ao endurecimento do bloqueio e das sanções contra Cuba”, sublinha Sánchez. Para se ter ideia, somente em 2020, a política criminosa do bloqueio à ilha resultou em prejuízos da ordem de 5,5 bilhões de dólares. “Este cenário agravou-se com Donald Trump, mas é importante denunciar a sua manutenção sob o governo de Joe Biden”, aponta.

Uma combinação explosiva… e fabricada

Conforme descreve o jornalista, o cenário era bem distinto antes da pandemia do novo coronavírus. “Em 2020, antes da pandemia, até março, não havia tanta tensão. Após a Covid-19, a situação começa a mudar”. O turismo, por exemplo, movimenta milhões de dólares e esta receita simplesmente desapareceu por conta da pandemia.

As restrições impostas por Trump e mantidas por Biden, somadas aos efeitos da pandemia, geraram uma situação de desabastecimento e dificuldades objetivas na vida da população, afirma Sánchez. E aí começa o problema: “Aproveitando-se deste cenário de dificuldade, grupos contrarrevolucionários pagos, ou seja, não são autônomos, mas contratados, entraram em cena. E digo que são pagos pois os Estados Unidos destinam cerca de 50 milhões de dólares do seu orçamento anual para pagar esses grupos. Isso é algo público”, denuncia.

A novidade em mais este ataque na longa saga da Revolução Cubana é a componente da chamada ‘guerra de quarta geração’ ou ‘guerra não-convencional’. “Os atos de vandalismo e violência são parte de uma ação maior, coordenada desde uma feroz campanha nas redes sociais, com agitação e, especialmente, um oceano de notícias falsas. Toda a orquestração nas redes sociais escancara, inclusive, o enorme financiamento que há por trás desta ação. Esta combinação das dificuldades reais com a violência e a desinformação resulta em uma verdadeira guerra psicológica”.

De acordo com Sánchez, a resposta contundente e ágil do presidente Miguel Díaz-Canel foi fundamental para contornar o ataque, convocando rapidamente o povo cubano a sair às ruas e defender a revolução. “Grupos revolucionários saíram às ruas com apoio da polícia. Mas ao contrário do que noticiam, é uma polícia bem diferente da polícia brasileira, por exemplo. É uma polícia que não usa armas longas, por exemplo. Foi uma ação bem sucedida para garantir a tranquilidade”, diz.

Saídas para a crise e a solidariedade internacional

Segundo Sánchez, o governo cubano tem trabalhado intensamente para encontrar saídas às dificuldades causadas pelas sanções e agravadas pela pandemia. “Há importantes avanços em temas como a livre exportação de alimentos e medicamentos através de viajantes e também estão ocorrendo transformações nas empresas estatais, que são fundamentais para a economia nacional”, relata.

“Também há empenho no reparo das plantas geradoras de eletricidade para evitar os ‘apagões’ e políticas para facilitar o acesso à cesta básica por parte dos mais necessitados. Essas medidas, que podem parecer tímidas diante da brutalidade do bloqueio, ajudam a gerar uma situação social menos tensa, mais tranquila para a vida cotidiana das pessoas. O governo está muito comprometido com essa tarefa”.

Atento às manifestações de solidariedade por parte do povo brasileiro, Sánchez destaca a importância desta batalha contra a desinformação, seja ela praticada nas redes sociais ou nos grandes grupos privados de comunicação: “Desde Cuba, nossa mensagem para os amigos da mídia alternativa e meios contra-hegemônicos no Brasil é de agradecimento pelo apoio e defesa da revolução cubana. Agradecemos a importante difusão que vocês têm feito sobre a verdade do que se passa em nosso país. É uma dura batalha contra o predomínio monopólico da mentira dos grandes meios, que novamente têm papel fundamental nos ataques contra Cuba. Cuidem-se, protejam a saúde de vocês e tenham certeza que Cuba seguirá defendendo esta revolução que gera tanta solidariedade”.

No recém lançado documentário Coded Bias, a experiência pessoal e profissional de Joy Buolamwini, pesquisadora ganense-americana, revela como os algoritmos determinam comportamentos racistas, machistas e fortalecem sistemas autoritários de vigilância com o reconhecimento facial. Depois de analisar "O Dilema nas Redes", o matemático quântico Daniel Stilck França, professor da Universidade de Copenhagen (Dinamarca), explicou ao jornalista Paulo França as falhas inaceitáveis que a IA vem cometendo.

"Os algoritmos da Inteligência Artificial não foram criados para reconhecer rostos diversos. As pessoas que definem os modelos reconhecidos pela #IA têm um poder enorme, o que resulta em tendências racistas, como mostrado em Coded Bias", afirma Daniel Stilck França. "Mais do que o temor do que o Estado possa fazer com ela, a Inteligência Artificial já tem sido usada, de forma agressiva, pelas corporações privadas, para quebrar a privacidade e exercer controle e vigilância".

Assista à íntegra do papo no #CanalDoBarão, via #CanalResistentes:

Relatório publicado pela Anatel mostra que o Brasil figura como um dos países com maior carga tributária nos serviços de telecomunicações do mundo. O documento de fevereiro deste ano, elaborado pela assessoria técnica da agência a partir de dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT), apresenta uma comparação internacional do nível de carga tributária e dos custos das cestas de serviços ofertados pelas operadoras ao mercado brasileiro. Na telefonia móvel, por exemplo, o Brasil é o quarto país com a maior carga tributária do serviço no mundo.

Por Marcos Urupá, no TeleTime

O relatório mostra que de 2019 para 2020 a carga tributária média no Brasil aumentou 0,4%, e aponta como fatores o aumento do ICMS médio nacional em 0,22% devido aumento de alíquota de um estado da Federação e a nova ponderação dos estados em função de alteração da quantidade de acessos. Dessa forma, a incidência tributária no preço final pago pelo consumidor nos serviços de telecomunicações fica na média 43,6%.

Na telefonia móvel, o Brasil figura em quarto lugar na lista dos dez países com maior carga tributária no serviço. Apenas Burandi, Jordânia e Egito, respectivamente com 52%, 46% e 43% superam o Brasil. Isso coloca o país o grupo dos 5% de países com maior carga tributária na telefonia móvel. Na banda larga fixa, o país figura em primeiro na lista de 10 países com tributação mais elevada no serviço, com uma incidência de 40,2%.

Cesta de serviços

No quesito cesta de serviços, o Brasil obteve uma relativa melhora, segundo o relatório da Anatel. Na telefonia móvel o Brasil estava na 83ª posição e subiu para a 63ª. Em banda larga fixa o Brasil evoluiu da 75ª para a 45ª posição. Na categoria poder de mercado, o Brasil é o 6º maior mercado em telefonia móvel no mundo e o 5º maior mercado nacional em banda larga fixa. Internamente, São Paulo tem 31,26% do mercado nacional telecomunicações e Minas Gerais tem 9,62% do mercado. Os demais estados respondem por cerca de 60% do mercado de consumo interno dos serviços de telecomunicações.

Apesar dessa melhora brasileira o estudo da Anatel reconhece que os custos das cestas de serviços, tanto em telefonia móvel quanto em banda larga fixa, praticamente não se alteraram, considerando os dados de 2018 e 2019 da UIT, pois é observada uma consistente queda dos preços das cestas de serviços medidas pela UIT, tanto por PIB per capita quanto por US$ em paridade de poder e compra (PPC). O relatório mostra que essa tendência permanece para os dados de 2019, mesmo com algumas alterações nas cestas de serviços da UIT.

Desde 2018, a cesta de serviços utilizadas pela UIT para fazer a comparação de preços e do ranking dos países sofreu algumas alterações para melhor adequar o desenvolvimento do setor de telecomunicações, diz o estudo.

Para banda larga fixa, os dados de 2008-2017 referiam-se a uma cesta de serviços de banda larga fixa com uma utilização mensal de dados de no mínimo 1 GB. Os dados de 2018 em diante referem-se a uma cesta de banda larga fixa revisada com um uso mensal de dados de no mínimo 5 GB.

Para telefonia móvel, as cestas foram repensadas pela UIT. Os dados de 2008-2017 referem-se a uma cesta de celular móvel com uma utilização mensal de 30 chamadas por mês, para linha fixa, em horários de pico e fora de pico em taxas pré-determinadas, e com mais 100 mensagens SMS. Já para 2018 em diante os dados referem-se a uma cesta revisada de celular de baixa utilização com um uso mensal de 70 minutos e 20 SMS em média.

Além disso, foram acrescentadas e alteradas outras cestas, como uma com o perfil de baixo consumo, mas com um pacote adicional de dados de 500 MB, outra de dados moveis, com mudança do perfil de 1GB para 1,5 GB e uma terceira, que se referem a uma cesta de dados e voz, de alta utilização, com um consumo mensal de 140 minutos de voz, 70 SMS e 1,5 GB.

Confira o relatório na íntegra aqui.

O Festival Internacional de Cinema de Cannes segue falando do Brasil. Após Spike Lee, que preside o júri, chamar Jair Bolsonaro de “gangster”, agora foi a vez do também diretor estadunidense Oliver Stone afirmar que a prisão do ex-presidente Lula foi um plano orquestrado pelos EUA com o objetivo de desestabilizar os governos de esquerda na América Latina.

Por Altamiro Borges

“Pegaram o Lula com a Lava-Jato. Foi selvagem, uma história suja”, disse o renomado cineasta, que está na cidade francesa para estreia do seu novo documentário sobre o assassinato de John Kennedy. O diretor também já prepara um novo filme no qual Lula será o principal personagem e que tratará da ação imperialista dos EUA pelo mundo. "É duro, é uma guerra que está em curso”.

Censura e manipulação da mídia

Durante a coletiva à imprensa, Oliver Stone ainda criticou a cobertura da mídia ianque dos países governados pela esquerda. “A mentalidade no Ocidente é completamente anti-Rússia, anti-China, anti-Irã, anti-Cuba, anti-Venezuela. Não se pode falar nada de bom sobre eles. O que mais está na lista? No Brasil, Lula foi para a prisão, eles se livraram do Lula. Eles policiam o mundo”.

O premiado diretor disse que também é vítima dessa censura. “Meus filmes não foram financiados pelos Estados Unidos, mas pela Inglaterra. O grande teste é se esse novo documentário [“JFK Revisited”] não for lançado no país... O que meu filme mostra foi que houve um golpe de Estado. O presidente dos Estados Unidos foi removido ilegalmente do seu cargo”.

Além de Spike Lee e Oliver Stone, outro cineasta presente em Cannes, o ucraniano Sergei Loznitsa, também citou Jair Bolsonaro ao apresentar seu documentário sobre o Holocausto nazista e o massacre de 34 mil judeus numa única noite em Kiev. Ele incluiu o presidente brasileiro na sua lista de “tiranos contemporâneos”, juntamente com o bielorrusso Alexandr Lukashenko e o húngaro Viktor Orbán, que lembrariam as atrocidades praticadas no passado.

O Projeto Alma Puída: as almas se costuram nasceu da necessidade de dar voz ao que nos angustia e ainda nos aflige, nestes 15 meses de pandemia em que somamos cerca de 500 mil óbitos no Brasil. É a força da palavra contribuindo para fazer ecoar a vida e superar os momentos de luto.

O projeto será lançado na próxima terça-feira (15/06), às 19h em formato on-line, e a coordenação do projeto está a cargo do Instituto Angelim em parceria com o Memorial da Pandemia. A idealização é do Grupo de Trabalho Expandir o Presente, Criar o Futuro. 

"Estamos computando meio milhão de vidas perdidas em nosso país pela Covid-19. É urgente falarmos sobre isso. Nossos desabafos podem ajudar a curar as feridas e, ao mesmo tempo, se transformar em ação. Juntar nossas vozes pra ajudar a transformar esta realidade é o nosso principal objetivo", explicou a socióloga Mirlene Simões.

De acordo com a professora Monica Fonseca Severo, “lutar contra a desmemória é uma necessidade diante da tentativa de escamotear a realidade da pandemia e do pandemônio”. “Nossa ação de resistência artística é uma homenagem às vítimas do descaso e do negacionismo. Registrar, salvaguardar esta memória para que as gerações futuras possam conhecer, refletir e não repetir”, salientou.

“Como um tecido puído, desgastado e cansado, somos arrastados pela existência. Nos sentimos solitários, e nesse isolamento imaginamos que o que sentimos é apenas individual”, declarou a artista visual e pesquisadora Fabiola Notari, para quem, “a coleção de áudios surge como acolhimento para reunirmos forças para continuar de maneira mais consciente”.

Um ensaio para um poema 

Para a artista plástica e professora aposentada Lucimar Belo, “é de vozes coletivas que se trata o projeto”. “Coloque a sua e aguarde para ouvir muitas. Neste último ano, a nossa voz está embargada, está com pulso, está presa. Vamos liberar nossa voz e juntá-la a um vozerio. É este o objetivo do Projeto Alma Puída”, enfatizou.

Segundo a artista visual indígena Miguela Moura, “a iniciativa valoriza a oralidade”. “Para os povos indígenas este é um fator importante, pois todas as nossas tradições são transmitidas de forma oral”, relatou. 

PARTICIPE DO PROJETO

Qualquer pessoa acima de 18 anos pode gravar áudios, quantos desejar, de até 3 minutos de duração. 

As inscrições estão abertas de 7 de junho a 29 de agosto.

Os materiais devem ser enviados para http://bit.ly/projetoalmapuida

Todos os formatos de áudio são bem-vindos.

A iniciativa é um dos desdobramentos do livro coletivo Expandir o Presente, Criar o Futuro, produzido e lançado em 2020.

@projetoalmapuida

@institutoangelim

@memorialdapandemia

https://www.facebook.com/projetoalmapuida

https://www.facebook.com/memorialdapandemia

https://institutoangelim.org/

https://memorialdapandemia.com/

Contato: Mirlene Simões Severo (16) 99709-9284. http://lattes.cnpq.br/5696296892389040

O futebol das mulheres ganha o planeta como nunca antes em sua história

Grande dia!
Grande dia de verdade e não o externado pelo boçal que ocupa desastradamente o posto mais alto do executivo brasileiro.

Hoje é um grande dia porque tem início a oitava edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino! A anfitriã França abre a competição diante da Coréia do Sul a partir das 16h00 – horário de Brasília – e além da ansiedade pelo ponta pé deste jogo temos muito o que comemorar em termos de visibilidade.

Por Lu Castro, especial para o Barão de Itararé

Há pouco mais de dez anos, assumi uma responsabilidade pessoal: utilizar a tecnologia em favor da visibilidade das mulheres que faziam a bola rolar pelos campos da cidade. Minha primeira busca foi no Juventus, formador por excelência, e sua técnica Magali.

O material, publicado no antigo portal OléOlé, já se perdeu, mas, de lá para cá, perda deixou de ser sinônimo de mulher dentro e fora das quatro linhas.

Avançamos. E os contatos com os principais agentes da modalidade se intensificaram. E espaços alternativos começaram a surgir com mais força na busca pelo tratamento igualitário do futebol de mulheres e homens – ao menos no que diz respeito ao que se noticia, inicialmente.

Observando a movimentação da imprensa nacional, noto um grande cuidado ao tratar do assunto, diferente de muitos outros anos. Acredito que esteja diretamente relacionado ao número de mulheres presentes em redações esportivas, algo que apontei como imprescindível para a melhora na comunicação do futebol de mulheres em mídias tradicionais.

Avançamos. E avançamos noutros tantos aspectos do futebol, inclusive na gestão, onde o trabalho realizado pela ex capitã da seleção, Aline Pellegrino, como diretora de futebol feminino da Federação Paulista de Futebol, tem ampliado os espaços para trabalhar as categorias de base.

Avançamos. A seleção brasileira tem uma estrutura que nunca teve. A seleção brasileira conta com uniforme próprio e não sobra do uniforme masculino. A seleção tem seus jogos transmitidos de modo inédito em tevê aberta de alcance nacional. A seleção só não tem uma coisa: técnico.

E isso, car@s, é algo que me preocupa tanto quanto me alegra: o fato de termos a Copa do Mundo mais noticiada de todos os tempos.

Diante de uma seleção nacional que caiu no ranking FIFA nos últimos anos, sob o comando de alguém que não tem perfil para comandar o selecionado nacional em nenhuma circunstância – e já o demonstrou em outras ocasiões - que carrega para a França nove derrotas consecutivas, minha expectativa é de termos que reforçar nosso discurso e argumentar como nunca que o que eles (os espectadores desconhecedores da realidade do futebol feminino) estão vendo não é bem isso.

Num momento, em que os olhos do mundo estão voltados para a amarelinha tão conceituada um dia, mostrar um jogo baseado apenas na garras das nossas habilidosas e talentosas atletas, tem sido o protagonista dos meus pesadelos.

Tudo o que lutamos para construir – atletas, gestores, comissões técnicas sérias, jornalistas interessados no assunto – pode sofrer um revés de opinião pública se o coletivo não estiver bem arrumado. E nós sabemos que não está.

Há poucas horas da abertura do mundial mais importante de todos os tempos, vou da euforia e ansiedade que mal me deixou dormir a testa constantemente franzida de preocupação.

Avancemos pois, nossas atletas se entregarão e é muito provável que nos jogos do Brasil o que avance é o nível da gengibrinha pra dar conta da montanha russa de emoções.

Uma mulher registra um boletim de ocorrência acusando um homem por estupro. Em depoimento, descreve que o parceiro teria ficado subitamente agressivo e usado da violência para praticar relação sexual sem seu consentimento. O laudo médico, anexado ao caso, apresenta sinais físicos de agressão e estresse pós-traumático. Em resposta, o homem acusado desmente a história publicamente, argumentando que o episódio não passou de “uma relação comum entre um homem e uma mulher”.

Por Mariana Pitasse, no Brasil de Fato

Esse poderia ser apenas mais um entre os cerca de 135 casos de estupro registrados por dia – que equivalem a cerca de 10% a 15% dos abusos que acontecem diariamente no Brasil, segundo levantamento do Atlas da Violência de 2018. Mas não é um episódio qualquer. O homem acusado é Neymar, um dos jogadores de futebol mais bem pagos do mundo. Por isso, o caso tomou as páginas dos jornais dentro e fora do Brasil nos últimos dias, com ampla repercussão nas redes sociais.

Após a denúncia registrada contra o jogador do Paris Saint-Germain na última sexta-feira (31), a acusadora foi exposta de diferentes formas – pela mídia comercial e pelo próprio Neymar. Para "sensibilizar" a opinião pública, o jogador postou um vídeo em suas contas do Instagram e do Facebook em que diz ser inocente. Ao tentar “comprovar” sua versão dos fatos, divulgou conversas que manteve com a mulher pelo Whatsapp, assim como fotos e vídeos íntimos da acusadora. A ação fez com que o jogador passasse a ser investigado também pelo vazamento de fotos íntimas.

A divulgação do conteúdo não foi um equívoco e, sim, uma escolha. Neymar preferiu cometer um crime virtual para tentar dialogar com pessoas que concordam com a ideia de que uma mulher que envia fotos íntimas pela internet é necessariamente "aproveitadora" e "interesseira".

O que está sendo ignorado nessa leitura rasa proposta pela defesa de Neymar é que a intimidade exposta para milhões de pessoas não diz nada sobre a acusação de estupro. Como lembra a antropóloga Débora Diniz, o que circula é a versão de um homem poderoso que se ancora em elementos do fascínio pelo sexo e na desqualificação fácil das mulheres vítimas de violência sexual. E essa é também a narrativa em que tem se amparado a cobertura da mídia comercial sobre o caso. Mesmo sem afirmar que estão assumindo uma posição, jornalistas passaram o recibo de que a acusadora está tentando se aproveitar do “menino” Neymar.

Entre as reportagens que tomaram conta do noticiário brasileiro nos últimos dias, a matéria Jornal Nacional – no dia seguinte à divulgação das conversas – foi a que mais repercutiu. Ela traz um panorama sobre o caso e ressalta o depoimento de um ex-advogado da mulher afirmando que o estupro não aconteceu. A reportagem também divulga o nome da nova advogada de defesa da mulher, ainda que ela não tenha dado autorização para isso, desrespeitando um princípio básico do jornalismo: a garantia de sigilo das fontes. Na mesma reportagem, sem mostrar as fotografias e vídeos do corpo da mulher, divulgados por Neymar, são expostas frases soltas da conversa em que o jogador aparece enredado em um jogo de sedução.

Em outra reportagem, desta vez publicada no Jornal de Brasília, a mulher tem a vida financeira e judicial revirada. O texto aponta que ela tem uma ação de despejo em seu nome, após três meses de aluguel atrasado, e que acumula dívidas. A reportagem também disponibiliza o nome completo da mulher e detalha suas contas a pagar.

A invasão de privacidade promovida por jornalistas com a justificativa de mostrar a “real versão dos fatos” não terminou por aí. Em reportagem publicada pelo jornal O Globo, a família da mulher é procurada e sua mãe é informada sobre o caso a partir da abordagem da repórter. Dias depois, uma matéria veiculada pelo portal UOL evidencia que o filho da mulher, de cinco anos, está sofrendo com chacotas na internet e na escola por conta da repercussão do caso.

Mais do que a intimidade revirada e exposta em fotos e vídeos íntimos e informações detalhadas sobre sua situação financeira, a mulher teve sua versão dos acontecimentos contestada a todo tempo, de forma pública, inclusive por seu ex-advogado. Mas isso não é levado em consideração, porque tudo parece legítimo quando a motivação é “dar o furo” de reportagem. Na lógica do jornalismo, é necessário apresentar respostas antes mesmo das investigações. Tudo isso com base na “isenção e na imparcialidade”, ainda que à serviço da versão do jogador milionário…

Neymar, por outro lado, segue a rotina de treinos, jogos e compromissos publicitários, blindado por seu estafe. A presença dele está confirmada no jogo amistoso do Brasil contra o Qatar nesta quarta-feira (5).

Paris Saint-Germain e Seleção Brasileira se esquivam de comentar o caso. Familiares e amigos se pronunciam publicamente garantindo que ele é inocente e vítima de uma armadilha. A preocupação maior parece vir dos patrocinadores: ao menos quatro das 10 marcas manifestaram incômodo com o caso, segundo levantamento da Folha.

Comprovada ou não a acusação, a sentença já está dada: a mulher é sempre a ponta vulnerável. Não à toa, segundo o Atlas da Violência, são cerca de 1300 estupros por dia no país – dos quais apenas 135 são notificados.

*Jornalista, editora do Brasil de Fato no Rio de Janeiro e doutoranda em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Edição: Daniel Giovanaz